Há cinco anos, o Brasil iniciava um dos momentos mais simbólicos no enfrentamento à pandemia da covid-19. No dia 17 de janeiro de 2021, após a aprovação do uso emergencial de vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a enfermeira Mônica Calazans tornou-se a primeira brasileira a receber uma dose contra a doença.
Mônica foi escolhida por ter participado dos ensaios clínicos da CoronaVac e, à época, atuava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, referência no atendimento a pacientes com covid-19. O momento marcou o início da campanha nacional de vacinação, que começou oficialmente no restante do país no dia 18, com a distribuição de um primeiro lote de 6 milhões de doses.
Nos dias seguintes, o Brasil recebeu também as primeiras doses da vacina da Oxford/AstraZeneca, importadas inicialmente da Índia. A campanha priorizou profissionais da saúde, idosos, indígenas e pessoas com deficiência institucionalizadas, em um período marcado pelo avanço da variante Gama, considerada mais agressiva.
Dados do Observatório Covid-19 Brasil indicam que, apenas nos primeiros sete meses da vacinação, cerca de 165 mil hospitalizações e 58 mil mortes entre idosos foram evitadas. Em um ano, mais de 339 milhões de doses foram aplicadas, alcançando aproximadamente 84% da população brasileira e poupando mais de 300 mil vidas.
Apesar dos avanços, estudos apontam que atrasos no início da vacinação contribuíram para um número ainda maior de vítimas. Pesquisas indicam que dezenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas caso a imunização tivesse começado antes, tema que foi amplamente debatido durante a CPI da Covid-19.

