A Polícia Civil de Ivaiporã investiga um caso de suposto estelionato, fraude eletrônica e falsidade ideológica envolvendo uma ex-funcionária do restaurante Rekint’s Gastronomia. O boletim de ocorrência foi registrado na 54ª Delegacia Regional de Polícia no dia 25 de março de 2026, após funcionárias identificarem movimentações suspeitas em contas bancárias digitais.
Segundo o registro policial, as vítimas Lucinéia Lourenço Farias e Terezinha Moreira procuraram a delegacia relatando que a então colega de trabalho, identificada pelas iniciais M.E.S., teria se aproveitado da confiança delas e da dificuldade no uso de aplicativos bancários para realizar diversas movimentações financeiras sem autorização.
Conforme o relato, a investigada auxiliava as vítimas em pagamentos, movimentações em aplicativos bancários e operações financeiras. Aproveitando-se desse acesso, ela teria criado contas bancárias em nome das colegas, solicitado cartões de crédito, realizado empréstimos, efetuado transferências via Pix e pagamentos em benefício próprio.
Ainda segundo o boletim, os fatos teriam ocorrido de forma contínua desde 2024. As suspeitas surgiram após uma das vítimas identificar cobranças indevidas e notificações relacionadas a dívidas que, segundo ela, nunca contratou.
Entre os documentos apresentados à Polícia Civil está uma notificação encaminhada pelo Cartório Leopoldina, em São Paulo, referente a débitos vinculados à empresa Nu Pagamentos S.A. (Nubank) em nome de uma das vítimas.
Também foram anexados extratos bancários com diversas transferências Pix supostamente destinadas à investigada. Em um dos documentos aparecem movimentações nos valores de R$ 140, R$ 200, R$ 500, R$ 600 e R$ 440, entre outras operações.
O boletim aponta possíveis crimes de estelionato mediante fraude eletrônica, falsidade ideológica e furto qualificado. Conforme o registro, os prejuízos financeiros são considerados elevados.
Após o surgimento das suspeitas e a descoberta das movimentações bancárias, a investigada deixou o emprego no restaurante. Informações apuradas indicam que ao menos quatro funcionárias podem ter sido prejudicadas, embora nem todas tenham registrado ocorrência policial.
A Polícia Civil segue investigando o caso e deverá analisar documentos, extratos bancários, conversas e demais provas apresentadas pelas vítimas e pela defesa da investigada.
Defesa nega acusações
Em contato telefônico com a reportagem, M.E.S. negou todas as acusações e afirmou ser inocente.
Segundo ela, os empréstimos e movimentações mencionados no boletim teriam sido realizados em benefício das próprias mulheres, e não para vantagem pessoal.
A investigada afirmou ainda que apresentou à Polícia Civil comprovantes de depósitos e transferências feitos às contas das denunciantes.
“Quem comete suposto estelionato e pega dinheiro de alguém não iria devolver. Eu devolvi, justamente porque não sou estelionatária. Tem várias transferências, mas era sempre comprando algo para elas ou pagando elas”, declarou.
Ela também informou possuir áudios de conversas no WhatsApp e outros documentos que, segundo afirma, comprovarão sua inocência durante o andamento do inquérito policial.
“São duas pessoas que eu sempre ajudei e elas sempre me ajudaram, e agora está acontecendo tudo isso”, finalizou.
A reportagem optou por preservar a identidade completa da investigada neste momento.

