Moradores de Apucarana se mobilizam para reconstruir as casas atingidas pela forte tempestade que provocou estragos em dezenas de imóveis na cidade. Com telhados perfurados pelo granizo, forros danificados e cômodos alagados, famílias passaram a buscar lonas e telhas nos pontos de apoio e também contam com a ajuda de vizinhos e parentes para recuperar as residências.
Os atendimentos estão concentrados na sede da Defesa Civil, instalada nas dependências do Pátio de Máquinas, na Rua Carlos Cavalcanti, esquina com a Rua Piratininga, no Jardim Ponta Grossa, e no quartel do Corpo de Bombeiros, na Rua Ponta Grossa.
A diarista Aparecida Cássiana foi uma das moradoras que precisou correr contra o tempo para proteger a casa após o temporal. Ela contou que as pedras de granizo quebraram várias telhas, enquanto a água invadiu os cômodos e molhou os móveis.
“Foi muita telha quebrando, pedra, vento, molhou todos os meus móveis. Alagou a casa toda. Fiquei em pânico na hora com aquele barulho. Nunca tinha visto isso na minha vida. Só pedi a Deus. Pedi a Deus, ajoelhei e é bem difícil mesmo. Agora é reconstruir. A gente constrói, mas está boa a saúde da gente, está salva. O importante é que não se machucou”, afirmou.
A mobilização também aparece na forma como os moradores dividem os materiais recebidos para os reparos. O motorista José Roberto Bezerra, que também teve a casa atingida, destacou a importância de retirar apenas o necessário para que os insumos cheguem a todas as famílias afetadas.
“A nossa cozinha está toda detonada, mas graças a Deus a vida da gente é mais importante. Hoje é mais um trabalho de ajuda, não é um trabalho de ambição ou de egoísmo. Se eu preciso de duas telhas, eu não posso pegar três, porque tem gente que sofreu muito mais do que a minha casa ou do que a casa do vizinho. Hoje é o que a gente viu em Apucarana, é pensar no próximo hoje”, ressaltou.
José também relatou os momentos de tensão enfrentados durante o temporal. Ele estava voltando do trabalho quando precisou interromper o trajeto por causa da intensidade do granizo e dos danos provocados pelo vento.
“Eu estava vindo do trabalho de carro e chegando na Itararé ali eu não aguentei. Muito gelo, escureceu demais e não tinha como chegar em casa. Parei debaixo de uma loja com toldo, o toldo voou. Energia caindo, poste caindo, árvore caindo, então orei bastante”, contou.
A solidariedade também envolve familiares que buscam materiais para ajudar parentes idosos ou que precisam de apoio para recuperar as residências. A costureira Zenaide de Almeida Pinheiro foi até um dos pontos de distribuição para retirar telhas e lona destinadas à casa da mãe.
“A casa veio acabando por causa dos granizos que caíram. Acabou afetando a casa da minha mãe e agora a gente está aqui. Eles estão fornecendo a telha e a lona e a gente veio para pegá-las e poder pô-las na casa”, explicou.
Zenaide contou que o tamanho das pedras provocou grandes buracos no telhado. “As pedras eram bem grandes, parecia o tamanho de um ovo. A gente vê pelo telhado o tamanho dos buracos que ficaram. Olha e vê os buracos, daí imagina o tamanho da pedra que caiu. O importante é que a gente está vivo, dar graças a Deus que a gente está aqui com saúde e o resto a gente corre atrás”, avaliou.
O aposentado Otacílio Gabriel, morador de Apucarana há mais de duas décadas, também precisou buscar materiais para proteger a residência. Segundo ele, a água passou pelas telhas danificadas e atingiu o forro de todos os cômodos.
“Foi muito vento, muita pedra. Pedra mais ou menos de 200 a 300 gramas, bem grandes as pedras. A água veio do forro. Porque vazaram as telhas, a água caiu no forro e o forro vazou para dentro em todos os cômodos. Vou levar a lona primeiro, depois vou ver a telha como fica. Tem que tirar as que furaram e colocar outras”, explicou.
Apesar dos danos, Otacílio destacou que a maior preocupação foi com a segurança da família. “Eu até não me assustei muito não, mas a mulher e a menina assustaram bastante, quase morreram de susto. A gente já está acostumado com esse tipo de coisa, não sente muito medo, mas para quem passa pela primeira vez assusta muito”, concluiu.
Por TNOnline.

