A estratégia de mobilização digital utilizada pelo deputado federal André Janones (Rede) durante a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a inspirar movimentos de esquerda em diferentes países. Responsável pela organização da militância petista nas redes sociais, o parlamentar criou o canal “Exército do Lula”, que ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores no WhatsApp antes mesmo do segundo turno das eleições.
Após a vitória de Lula, a atuação de Janones recebeu elogios de lideranças internacionais, entre elas o ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro. Em uma publicação no X, Petro destacou o trabalho do deputado na organização de ativistas digitais e na integração das ações realizadas pela internet com a mobilização nas ruas.
Janones respondeu à manifestação e colocou sua experiência à disposição de movimentos de esquerda de outros países, afirmando que pretende colaborar no enfrentamento à extrema-direita e àquilo que classificou como ameaça fascista.
Convite para atuar na Espanha
De acordo com informações do colunista Matheus Leitão, do portal Metrópoles, Janones foi convidado a colaborar com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, integrante do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), durante a mobilização política para as eleições do país, previstas para o fim de novembro.
Segundo a publicação, o deputado deve viajar para Madri no domingo (1º). Também teriam procurado o parlamentar a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e políticos da Venezuela, interessados em conhecer e utilizar estratégias semelhantes de organização política.
Grupos semelhantes surgem em outros países
Mesmo após o segundo turno das eleições brasileiras, o “Exército do Lula” continuou em atividade. A proposta do canal é distribuir missões aos participantes, incentivando a divulgação de conteúdos e a mobilização de apoiadores nas redes sociais. Atualmente, o grupo reúne aproximadamente 10,6 milhões de seguidores.
A iniciativa também motivou a criação de comunidades com propostas semelhantes em outros países. Na Argentina, por exemplo, foi criado o “Ejército del Peronismo”, canal que já ultrapassou 41 mil seguidores e defende a ala jovem e mais à esquerda do peronismo, principal força de oposição ao governo de Javier Milei.
A estratégia brasileira também despertou interesse no Chile. Nas redes sociais, usuários argentinos e chilenos fizeram publicações convidando Janones a colaborar com movimentos de esquerda em seus respectivos países.
Mobilização digital na Espanha e na França
Na Espanha, onde Pedro Sánchez busca fortalecer sua base de apoio diante do avanço de partidos de direita, foi criado o grupo “La fuerza de la gente” (A força das pessoas). A comunidade, organizada em apoio ao primeiro-ministro durante a pré-campanha, reúne mais de 40 mil participantes. Outros dois grupos com propostas semelhantes também foram criados no país.
Na França, a estratégia brasileira repercutiu entre simpatizantes de Jean-Luc Mélenchon, um dos principais nomes da esquerda francesa e fundador do partido França Insubmissa (LFI).
Inicialmente, apoiadores criaram de maneira independente o grupo “Les Soldats Insoumis” (Soldados Insubmissos). Posteriormente, o próprio partido lançou um canal oficial, chamado “L’équipe de Mélenchon officielle” (A equipe oficial de Mélenchon).
A atuação de Janones também recebeu elogios de outros dois líderes políticos franceses, ampliando a repercussão internacional do modelo de mobilização digital desenvolvido durante a campanha presidencial brasileira.



