O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou, na noite de sexta-feira (30), sua primeira transmissão ao vivo pelas redes sociais desde que chegou aos Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante aproximadamente 16 minutos, ele explicou os motivos que o levaram a deixar o Brasil, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou aspectos do processo eleitoral e afirmou que pretende continuar exercendo liderança política mesmo estando no exterior.
Flávio iniciou a transmissão agradecendo aos eleitores pelo apoio recebido durante a campanha. Ao lado da esposa, Fernanda, e com as duas filhas presentes no ambiente, mas fora do enquadramento da câmera, afirmou que a família atravessa um momento difícil. Segundo o senador, permanecer nos Estados Unidos permitirá que continue se manifestando politicamente com maior liberdade. Em uma das declarações, afirmou: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”.
Ao explicar a decisão, o parlamentar relatou que esteve com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã de segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições. Segundo sua versão, a visita durou cerca de 30 minutos e, quando deixava a residência, foi informado de que agentes da Polícia Federal o aguardavam. Na ocasião, recebeu uma intimação relacionada a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinava a entrega de seus passaportes e restringia sua saída do território nacional.
Flávio disse ter interpretado a medida como uma tentativa de intimidação e relatou que o pai ficou emocionado ao saber da situação. Depois de deixar o local, conversou com a esposa e decidiu sair do país. Ele afirmou que a decisão foi tomada exclusivamente pelo casal, sem conhecimento prévio de outras pessoas, e pediu que seus apoiadores não responsabilizassem integrantes de sua equipe pela viagem.
A saída ocorreu apesar da restrição judicial. De acordo com as informações apresentadas, Flávio e a família cruzaram a fronteira brasileira com a Argentina na terça-feira (27) e seguiram em uma aeronave particular, com escala no Equador. O grupo chegou a Miami na quarta-feira (28).
A determinação judicial foi expedida no âmbito de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, acusações negadas pelo senador. Durante a transmissão, ele voltou a contestar as suspeitas e a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
O parlamentar também questionou o resultado das eleições presidenciais, alegando que houve irregularidades e tratamento desigual durante a disputa. Para ilustrar sua avaliação, utilizou uma comparação com o futebol e mencionou supostos “gols de mão” que não teriam sido anulados. Entretanto, não apresentou provas de fraude eleitoral durante a transmissão. O resultado oficial confirmou a vitória de Lula.
Durante a live, Flávio ainda anunciou que pretende atuar politicamente a partir dos Estados Unidos e trabalhar para fortalecer a oposição no Congresso Nacional. Nesse contexto, declarou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pela presidência do Senado Federal, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027. Ele defendeu que o Congresso, especialmente o Senado, seja o principal espaço de atuação da oposição ao próximo governo.
Ao abordar a economia brasileira, o senador fez uma avaliação pessimista sobre os próximos anos e afirmou acreditar que o governo Lula enfrentará dificuldades e poderá sofrer desgaste político. As declarações foram apresentadas como previsões pessoais, sem dados que comprovassem os cenários mencionados.
Outro ponto da transmissão foi a possibilidade de Flávio disputar novamente a Presidência da República, inclusive antes de 2030. Ele afirmou que continua disposto a participar de uma nova eleição, caso surja essa oportunidade. A declaração, porém, não representa um anúncio formal de candidatura nem indica a possibilidade de antecipação do calendário eleitoral.
A transmissão marcou a primeira manifestação mais extensa do senador desde sua chegada aos Estados Unidos. Durante a live, ele sinalizou que pretende continuar participando do cenário político brasileiro e articulando a oposição mesmo fora do país.



