2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, é amplamente lembrado nas redes sociais, em discursos públicos e até mesmo em ações simbólicas promovidas por instituições. Fala-se em conscientização, inclusão e respeito — palavras poderosas que ecoam nesse dia em campanhas digitais, cartazes azuis e discursos emocionados.
Porém, para quem convive diariamente com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente para as famílias de crianças com necessidades específicas, falta algo essencial: ação concreta. A realidade nas cidades do interior, incluindo diversas prefeituras da região, é marcada pela ausência de políticas públicas efetivas para dar suporte aos autistas e seus familiares.
A dura realidade das famílias
Enquanto a data ganha visibilidade, muitas famílias seguem enfrentando uma rotina exaustiva e solitária. “Fala-se muito sobre inclusão, mas quem realmente vive essa realidade sabe o quanto é difícil conseguir um atendimento básico”, relata uma mãe, que prefere não se identificar.
A maior reclamação é unânime: falta estrutura. Não há acesso contínuo e gratuito a fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e profissionais especializados, que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças autistas.
Em muitos municípios da região, não há sequer um serviço exclusivo ou estruturado para o atendimento dessas demandas. Famílias que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam longas filas de espera ou são obrigadas a buscar ajuda na rede privada, o que é financeiramente inviável para a maioria.
O poder público ainda é omisso
A ausência de políticas públicas voltadas ao autismo não é apenas uma falha administrativa — é uma questão de negligência social. Apesar da legislação garantir direitos e a inclusão de pessoas com TEA nas escolas, na saúde e na assistência social, a prática não acompanha o discurso.
Faltam centros de atendimento especializados, capacitação para profissionais da educação, transporte adequado, campanhas permanentes e, acima de tudo, empatia na gestão pública.
Conscientizar é importante. Agir é urgente!
O Dia do Autismo é, sim, uma data importante. Mas ele precisa ultrapassar os limites da simbologia. A sociedade e, principalmente, o poder público precisam compreender que autismo não é uma causa de um dia, e sim uma condição que exige suporte contínuo, acolhimento real e políticas consistentes.
Enquanto o azul ilumina prédios e as redes sociais se enchem de mensagens bonitas, milhares de crianças e suas famílias continuam invisíveis aos olhos da administração pública.