Um novo estudo científico indica que a inteligência artificial (IA) pode ajudar a prever o risco de doenças cardiovasculares em mulheres a partir de exames de mamografia, tradicionalmente utilizados para o rastreamento do câncer de mama.
Pesquisa analisou depósitos de cálcio nas artérias da mama
A pesquisa foi conduzida pela Sociedade Europeia de Cardiologia e publicada na revista científica European Heart Journal. O estudo mostra que sistemas de inteligência artificial conseguem identificar e avaliar depósitos de cálcio nas artérias da mama por meio de imagens de raio-x.
Essa calcificação arterial costuma aparecer em mamografias de rotina e não está relacionada a tumores. No entanto, diversos estudos apontam que a presença desses depósitos pode estar associada a fatores de risco cardiovascular e ao desenvolvimento futuro de doenças cardíacas.
Estudo avaliou mais de 120 mil mulheres
A análise contou com a participação de 123.762 mulheres que realizaram exames de mamografia e que não possuíam diagnóstico prévio de doença cardiovascular.
Com o auxílio da inteligência artificial, os pesquisadores classificaram a quantidade de cálcio presente nas artérias mamárias em quatro níveis: grande, moderada, leve ou ausente.
Posteriormente, os dados foram comparados com o surgimento de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de mortes relacionadas a doenças do coração.
Maior calcificação indica maior risco
Os resultados mostraram uma relação direta entre o nível de calcificação e o risco de problemas cardíacos.
Mulheres com calcificação leve apresentaram cerca de 30% mais probabilidade de sofrer um evento cardiovascular grave. Nos casos classificados como moderados, o risco foi aproximadamente 70% maior. Já aquelas com níveis elevados de calcificação tiveram entre duas e três vezes mais chances de desenvolver doenças cardíacas graves.
Segundo o pesquisador Hari Trivedi, da Emory University e líder do estudo, quanto maior a quantidade de cálcio visível nas artérias da mama, maior é o risco de ocorrência de infarto, AVC ou insuficiência cardíaca.
Ferramenta pode ajudar no diagnóstico precoce
Os pesquisadores destacam que a tecnologia pode ajudar a identificar mulheres com risco cardiovascular elevado durante exames que já fazem parte da rotina médica.
A proposta é integrar sistemas de inteligência artificial aos fluxos de análise das mamografias, permitindo que médicos recebam alertas quando sinais de risco forem identificados.
O grupo responsável pela pesquisa também pretende realizar novos estudos clínicos para avaliar a aplicação prática da tecnologia nos sistemas de saúde.
Por G1.

