O socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Arapongas, Marcos Luis da Silva, recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (12), nove dias após sobreviver a um grave acidente de trânsito na PR-170, no Contorno Norte de Apucarana. Após deixar o Hospital da Providência, ele foi recebido por colegas de trabalho e retornou para casa, em Cambira.
Marcos precisou passar por cirurgia e permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a múltiplas fraturas provocadas pela colisão. O acidente aconteceu na noite do dia 3, nas proximidades do Kawaii Eventos, quando ele voltava de um plantão.
Socorrista relata dinâmica da colisão
Marcos dirigia um Chevrolet Corsa quando ocorreu uma colisão frontal com um Citroën C4. Na sequência, uma van também se envolveu no acidente. O resgate do socorrista, que ficou preso às ferragens, foi realizado por equipes do Corpo de Bombeiros e da concessionária Motiva Paraná.
Segundo o relato de Marcos, o acidente teria sido provocado por uma ultrapassagem imprudente do motorista do Citroën C4. Ele contou que subia pela terceira faixa quando avistou o outro veículo vindo em sentido contrário, durante uma ultrapassagem em uma curva.
“Eu estava com um Corsinha 1.0, subindo a terceira faixa. De repente, de longe, vi aquele carro. Entrou na curva descendo, ultrapassando na terceira faixa. Minha reação foi jogar para a segunda faixa, a do meio, para ele passar direto na contramão. Mas, quando cheguei perto, o motorista do Citroën jogou o carro de frente comigo”, relatou.
Após a colisão, o Corsa foi atingido pela van, que rodou na pista e parou a cerca de 50 metros do local do impacto. O motorista da van sofreu ferimentos no braço, enquanto o condutor do Citroën C4 recebeu atendimento do Samu no local.
Cirurgia complexa e recuperação
O acidente deixou Marcos com diversas lesões. Ele sofreu uma fratura na mão esquerda, quebrou quatro costelas e o esterno, osso localizado na região central do peito. A lesão mais grave foi no quadril, na região do acetábulo, estrutura que abriga a cabeça do fêmur.
O socorrista deu entrada no hospital no sábado do acidente e permaneceu na UTI até a tarde de terça-feira. Na quinta-feira, foi submetido a uma cirurgia complexa no quadril, na qual foram implantadas placas e parafusos para tratar a fratura.
Apesar da alta hospitalar, ele deverá enfrentar um longo período de recuperação antes de retornar às atividades profissionais.
Vítima lamenta falta de contato do outro motorista
Marcos também afirmou que o motorista do Citroën não procurou sua família após o acidente para oferecer apoio.
“O motorista do C4 estava totalmente alterado. O cara mudou a minha vida agora, praticamente para o resto da vida. Ele causou o acidente, sumiu e não procurou a minha família”, declarou.
Mesmo diante das consequências físicas e do período de recuperação que terá pela frente, o socorrista comemorou a sobrevivência e agradeceu o apoio recebido durante a internação.
“Da destruição que foi o meu carro, eu sobrevivi. Estou vivo por um milagre, graças às orações de tanta gente que se mobilizou em Apucarana e Arapongas. É uma nova vida que terei daqui para frente”, afirmou Marcos, aliviado por poder voltar para casa.



