A Secretaria de Educação do Paraná abriu uma investigação para apurar a conduta de um supervisor e de estudantes do Colégio Cívico-Militar João Turin, em Curitiba. A medida ocorre após a divulgação de um vídeo em que alunos aparecem marchando na quadra da instituição e repetindo cânticos com apologia à violência letal e ao extermínio.
As imagens, divulgadas pela APP-Sindicato, mostram adolescentes entoando versos relacionados a unidades de elite, como o Bope, com frases como: “Entrar na favela e deixar corpo no chão” e “O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros”.
Governo cobra explicações da direção
O secretário estadual de Educação, Roni Miranda, confirmou que o caso está sendo analisado. A direção da escola foi convocada pela Seed para prestar esclarecimentos.
Em nota oficial, a pasta declarou que manifestações como as registradas no vídeo não condizem com os princípios da educação cidadã. O governo ressaltou que o modelo cívico-militar não deve ser associado ao episódio.
Reações e críticas ao episódio
A APP-Sindicato classificou o caso como “doutrinação ideológica extremista” e criticou o uso da escola pública para práticas de incitação à violência. A presidente da entidade, Walkiria Mazeto, afirmou que o conteúdo afronta comunidades periféricas e reforçou a posição contrária à militarização do ensino.
A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro também cobrou providências, classificando a situação como uma forma de violência simbólica e psicológica. Para ela, a escola deve ser um ambiente de acolhimento, não de estímulo ao ódio.
Atualmente, 345 escolas integram o programa cívico-militar no estado, que opera com gestão pedagógica civil e responsabilidade disciplinar sob militares da reserva.

