A Sanepar celebra mais de 20 anos do Programa de Destinação de Lodo de Esgoto à agricultura, com resultados positivos para a produtividade agrícola e ganhos socioeconômicos para pequenos produtores. A iniciativa já beneficiou mais de mil agricultores, com a destinação de cerca de 500 mil toneladas de biossólido – como é conhecido o material – para uso em diversas culturas.
Somente em 2024, o programa atendeu 132 produtores em 59 municípios, totalizando aplicação em 3.350 hectares. O biossólido é um adubo rico em matéria orgânica e nutrientes como nitrogênio, fósforo e enxofre. Além de corrigir o pH do solo, também fornece cálcio e magnésio, sendo resultado de um processo de higienização com cal.
Com 60 Unidades de Gerenciamento de Lodo (UGLs) no estado, todo o processo é acompanhado tecnicamente para garantir segurança no uso. O material é oferecido gratuitamente pela Sanepar, que também cobre o transporte e oferece apoio técnico para aplicação.
A agrônoma Sandra Regina da Silveira, responsável pelo programa no Noroeste, destaca que os interessados podem acessar o site da Sanepar, na aba Sustentabilidade, para obter informações detalhadas, preencher questionários e realizar o pré-cadastro.
O biossólido pode ser aplicado em culturas como milho, soja, trigo, café, cana-de-açúcar e frutíferas. No entanto, seu uso não é recomendado em hortas, tubérculos, raízes, pastagens ou áreas com contato direto da parte comestível com o solo.
Resultados no campo
Dirceu Vitorino, produtor de abacate no Norte do Paraná, aderiu ao programa há quatro anos e já percebe os benefícios. “A lavoura ficou mais uniforme, os frutos mais bonitos e a terra mais solta. A produtividade aumentou significativamente”, afirmou.
Já o engenheiro agrônomo Julio Augusto, que acompanha 236 famílias em Mariluz, reforça que o programa também ajuda no aumento da renda dos pequenos produtores. Segundo ele, agricultores que não tinham acesso a fertilizantes industriais conseguiram recuperar o solo e elevar a produtividade com o uso do lodo.
Criado em 2000, o programa teve início na Região Metropolitana de Curitiba e, posteriormente, foi expandido para o interior. Foz do Iguaçu foi a primeira cidade a receber o material. Reconhecida nacional e internacionalmente, a iniciativa foi premiada pelo Instituto Trata Brasil e também pelo Pacto Global da ONU durante a COP28.

