Moradores de diferentes regiões de Apucarana têm relatado um aumento atípico na presença de borrachudos. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), o município enfrenta uma infestação do inseto, associada ao descontrole ambiental e às temperaturas acima da média.
Entre as áreas apontadas como mais críticas estão as regiões do Barra Nova, Biguaçu e Adriano Correia. O aumento, porém, também tem sido percebido em outros bairros, inclusive na região central.
A moradora do Distrito da Vila Reis, Thatiele Cristine Marques Nogueira, de 31 anos, afirma que tem encontrado grande quantidade de insetos em diferentes pontos da cidade.
“Qualquer lugar que vamos somos tomados por ‘nuvens’ de borrachudos. Ando pela região do Jardim Ponta Grossa e Espaço das Feiras, no centro. Creio que na Vila Reis tem mais por ter muito mato”, relatou.
Para evitar que os dois filhos pequenos sejam picados, ela afirma que opta por enviá-los à escola usando roupas compridas, mesmo com as altas temperaturas.
A mãe de Thatiele, Lucia Helena da Silva Bueno Nogueira, de 56 anos, também relata aumento expressivo dos insetos no Jardim Ponta Grossa.
“Aqui tem muito borrachudo. Aumentou bastante. Fica uma nuvem ao redor da gente”, afirmou.
Picadas podem causar reações
De nome científico Simulium spp., o borrachudo mede menos de 4 milímetros e possui uma picada que pode provocar dor, inchaço, coceira, vermelhidão e reações alérgicas.
Lucia conta que costuma apresentar marcas após ser picada e que uma neta também possui alergia ao inseto.
Calor e desequilíbrio ambiental favorecem infestação
O secretário municipal de Meio Ambiente, Leandro Gustavo Pires, explica que o aumento da população de borrachudos não ocorre apenas em Apucarana e está relacionado a fatores ambientais e climáticos.
Segundo ele, as temperaturas acima dos 30°C durante o inverno favorecem a reprodução do inseto. Os borrachudos possuem hábitos diurnos, podem voar por distâncias de até 40 quilômetros e nascem em águas correntes, com ciclo de aproximadamente 50 dias. Apenas as fêmeas se alimentam de sangue.
Outro fator apontado pelo secretário é a poluição dos rios, que interfere na cadeia alimentar e reduz a quantidade de predadores naturais das larvas.
“Quando o rio está limpo, há peixes e outros animais que se alimentam das larvas dos borrachudos. A poluição está matando os predadores e, consequentemente, aumentando os borrachudos”, explicou.
Prefeitura utiliza larvicida biológico
A Prefeitura de Apucarana mantém a distribuição de larvicida biológico para auxiliar no controle da população de borrachudos. O produto é destinado principalmente a produtores rurais, que fazem a aplicação nos cursos de água existentes em suas propriedades.
De acordo com Leandro Gustavo Pires, o produto atua sobre as larvas e não provoca danos ao meio ambiente.
O secretário também descartou o uso de fumacê como estratégia de combate aos borrachudos. Segundo ele, o método poderia atingir outras espécies importantes para o equilíbrio ambiental, como abelhas, borboletas e joaninhas.
O fumacê, conforme explicou, é utilizado em situações relacionadas ao combate ao mosquito da dengue por se tratar de uma questão de saúde pública. O borrachudo, por sua vez, não transmite doenças.
Rios são alvo de ações de controle
A Secretaria de Meio Ambiente também aponta a necessidade de reforçar as ações de controle no Ribeirão do Iguaçu e no Rio Barra Nova.
Segundo o secretário, o despejo de esgoto tratado nos cursos de água pode aumentar a quantidade de matéria orgânica disponível e favorecer a presença dos insetos.
A administração municipal afirma que mantém ações para tentar reduzir a infestação e controlar a população de borrachudos no município.
Por TNOnline.

