Consumidores de Mandaguari relatam demora no atendimento e prejuízos causados por problemas no fornecimento de energia elétrica, enquanto fios soltos em postes seguem preocupando moradores. Diante das reclamações, o vereador Eron Barbiero cobra explicações da Copel sobre a qualidade dos serviços prestados no município.
A Copel foi privatizada em agosto de 2023, por meio de uma oferta de ações na B3 que movimentou R$ 5,2 bilhões. A operação transformou a companhia em uma corporação de capital disperso e reduziu a participação do Estado do Paraná.
No ano seguinte, a empresa registrou crescimento de 20,3% no lucro líquido em comparação com 2023. Para a diretoria e os novos acionistas, o resultado foi apresentado como um indicativo de que a privatização havia fortalecido a companhia no mercado e ampliado o retorno aos investidores.
Apesar dos resultados financeiros, consumidores passaram a relatar problemas relacionados ao atendimento e ao tempo de resposta para ocorrências envolvendo o fornecimento de energia.
Moradores relatam demora no atendimento
Em Mandaguari, reclamações sobre quedas de energia e demora no atendimento são frequentes em grupos de mensagens e chegaram também à reportagem.
Um morador da região central contou que ficou quase cinco dias sem energia elétrica após um princípio de incêndio atingir o relógio de medição de sua residência. Segundo ele, diversos contatos foram feitos com a Copel e equipes chegaram a comparecer ao imóvel.
Ainda conforme o relato, uma tentativa de reparo foi realizada, mas a fiação voltou a derreter após o religamento. Os técnicos teriam informado que seria necessária a substituição do relógio, mas o serviço não foi executado naquele momento.
A família enfrentou dificuldades durante o período sem energia, incluindo a perda de alimentos por falta de refrigeração e problemas relacionados à internet e à comunicação.
O consumidor também relatou que procurou o escritório da Copel em busca de informações e foi informado de que uma equipe havia ido até a residência, mas encontrou o portão fechado. Segundo ele, posteriormente foi informado de que essa suposta visita teria ocorrido por volta das 3 horas da madrugada, quando não teria sido possível atender os técnicos.
O problema, de acordo com o morador, só foi solucionado depois que ele informou que procuraria a imprensa para denunciar a situação.
Família relata mais de 12 horas sem energia
Outro caso foi relatado por uma família do Jardim Morumbi. O morador contou que percebeu um problema no fornecimento após um pico de energia ocorrido durante a noite de sexta-feira.
Na manhã seguinte, ele percebeu que apenas sua residência estava sem energia. Segundo o relato, o primeiro protocolo foi registrado junto à Copel às 7h20.
O morador afirma que também chamou dois profissionais particulares para verificar a instalação. De acordo com ele, os técnicos identificaram que o problema estava relacionado à transmissão de energia até o relógio da residência.
Mesmo após um novo contato com a companhia, o problema não teria sido resolvido de imediato.
A situação trouxe dificuldades para a família, que tem duas crianças pequenas. O morador relatou transtornos para realizar tarefas domésticas e afirmou que alimentos armazenados na geladeira estragaram após mais de 12 horas sem energia.
Segundo ele, por volta das 17h30, colaboradores terceirizados da Copel chegaram a parar em frente à residência, mas não teriam descido do veículo. O protocolo acabou sendo encerrado sem a solução do problema.
Um novo chamado foi aberto às 18h27, mas, conforme o relato, também não houve atendimento imediato.
No domingo, o morador voltou a procurar ajuda. Ele conta que chegou a relatar uma situação de risco na rede para tentar obter uma resposta mais rápida, sem sucesso.
A solução veio após ele procurar trabalhadores terceirizados que realizavam uma manutenção programada nas proximidades. Segundo o morador, os profissionais foram até a residência e, em cerca de 10 minutos, identificaram um componente queimado na rede de responsabilidade da Copel, solucionando o problema.
Vereador cobra explicações
As reclamações também chegaram à Câmara Municipal de Mandaguari. O vereador Eron Barbiero criticou a Copel durante uma sessão e informou ter encaminhado um ofício à companhia solicitando esclarecimentos sobre as frequentes falhas no fornecimento de energia.
No documento, o parlamentar afirma que as interrupções têm provocado transtornos e, em alguns casos, prejuízos financeiros aos moradores.
Outro questionamento apresentado pelo vereador envolve a dificuldade de atendimento presencial. Segundo ele, o escritório da Copel no município não recebe determinadas demandas diretamente, orientando os consumidores a utilizar canais eletrônicos, que podem apresentar respostas automatizadas e dificultar o contato com funcionários.
Barbiero solicitou que a companhia informe os motivos das frequentes interrupções, as medidas adotadas para melhorar a estabilidade do fornecimento e quais canais de atendimento direto estão disponíveis à população.
Até o momento, a Copel não havia se manifestado sobre os questionamentos apresentados pelo vereador.
Fios soltos continuam preocupando moradores
Além das reclamações sobre o fornecimento de energia, moradores de Mandaguari também demonstram preocupação com fios soltos ou caídos em postes e vias públicas.
O problema é observado tanto na região central quanto nos bairros, com cabos de telefonia e internet pendurados ou atravessando locais de circulação, situação que pode representar riscos à segurança e comprometer a organização urbana.
A situação vem sendo acompanhada pelo Jornal Agora/Portal Agora há anos. Em muitos casos, os cabos pertencem a empresas de telefonia e internet e permanecem sem utilização.
Embora a manutenção e a retirada de fiações desativadas sejam responsabilidades das empresas de telecomunicações, cabe à Copel fiscalizar o compartilhamento dos postes e cobrar a regularização quando forem identificadas irregularidades.
Segundo relatos, o problema teria se agravado em 2023, após a substituição dos anteparos dos postes realizada pela companhia. A mudança teria deixado diversos cabos de telecomunicações soltos pelas ruas.
Em uma das ocorrências registradas, uma adolescente chegou a ser arrastada por um caminhão depois que o veículo enroscou em um fio que atravessava a via.
As reclamações sobre o fornecimento de energia, a dificuldade de atendimento e as condições da fiação mantêm a pressão para que a companhia e as empresas responsáveis adotem medidas para reduzir os problemas e aumentar a segurança da população.
Por Portal Agora.

