Uma ocorrência de alta complexidade mobilizou as forças de segurança durante toda a terça-feira (11), em Londrina. Um casal, entre eles o proprietário de uma rádio, foi mantido refém dentro de um apartamento de um condomínio na região da Gleba Palhano, no Jardim Cláudia, na Avenida Madre Leônia Milito. A situação começou por volta das 9h e terminou aproximadamente 12 horas depois, com a libertação das vítimas. O homem apontado como responsável pelo cárcere morreu após a intervenção policial.
Com a colaboração de Miguel Zanotti, o Blog do Berimbau teve acesso a imagens e a uma entrevista com o síndico do condomínio, Luiz, que exerce a função há cerca de três anos e meio.
Segundo o síndico, ele recebeu uma ligação do porteiro informando sobre uma situação grave no prédio. Ao chegar ao local, encontrou um cenário de tensão. Conforme seu relato, antes de entrar no apartamento onde o casal acabou sendo mantido refém, o homem teria circulado pelo edifício e batido em diferentes portas.
Em determinado momento, um morador teria aberto a porta e permitido a entrada do homem no apartamento, dando início à ocorrência. Luiz afirmou conhecer o envolvido há anos e relatou que ele morava no condomínio havia aproximadamente 15 anos.
O síndico também contou que episódios anteriores de comportamento alterado já haviam preocupado moradores. Cerca de 15 dias antes, segundo ele, a polícia teria sido acionada para atender uma situação envolvendo familiares do homem.
Polícia monta operação para preservar vidas
Diante da gravidade da situação, a Polícia Militar montou uma grande operação no condomínio, com a participação de equipes especializadas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Após o encerramento da ocorrência, o capitão Emerson Castro explicou que a prioridade durante toda a ação foi preservar a vida dos reféns e também do homem responsável pela situação.
Os negociadores do Bope permaneceram durante horas em contato com o suspeito, buscando esgotar as possibilidades de negociação. Com o passar do tempo, porém, os policiais avaliaram que ele estaria mais agitado e agressivo, aumentando o risco para o casal.
A operação contou ainda com o uso de um drone para monitorar o interior do apartamento e auxiliar na identificação da localização das vítimas e do homem. Atiradores especializados do Bope permaneceram posicionados em um prédio vizinho para acompanhar a movimentação e dar suporte à ação.
Intervenção termina com morte do suspeito
Diante da avaliação de que a situação estava evoluindo e representava risco aos reféns, os policiais decidiram realizar um adentramento tático no apartamento.
Segundo o capitão Emerson Castro, uma equipe ficou responsável pela contenção do homem, enquanto outra avançou para proteger e retirar o casal.
Durante a intervenção, os policiais utilizaram uma arma de incapacitação neuromuscular, conhecida como Taser. Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, mesmo após o emprego do equipamento, o homem permaneceu agitado e precisou ser contido pelos agentes.
Ainda segundo o capitão, após a contenção, o homem sofreu uma parada cardíaca. Equipes médicas que já estavam posicionadas nas proximidades iniciaram imediatamente os procedimentos de socorro, mas ele não resistiu e morreu no local.
Vítimas foram libertadas
O casal foi retirado do apartamento e recebeu atendimento das equipes de emergência. Inicialmente, nenhum ferimento foi constatado nas vítimas.
Posteriormente, os dois foram encaminhados à delegacia para prestar depoimento e relatar os momentos vividos durante as aproximadamente 12 horas em que permaneceram como reféns.
Após o fim da ocorrência, o apartamento permaneceu isolado para o trabalho das equipes de perícia. Conforme o capitão Emerson Castro, seriam realizados exames em todo o cenário, incluindo facas e outros objetos utilizados durante o episódio.
A ocorrência deverá ser submetida aos procedimentos de investigação e perícia para esclarecer detalhadamente as circunstâncias do cárcere e da morte do homem.
A operação, que começou durante a manhã e se estendeu por todo o dia, terminou com o casal libertado e sem ferimentos constatados inicialmente.

